Máscaras do Social

Relato de uma experiência em Sociodrama

Música de abertura - ópera Carmem

Apresentação da diretora- “Heráclito, filósofo  grego,480 aC. tinha como tema a mudança..."A natureza ama esconder-se..."

 

Aquecimento inespecífico.

 

As máscaras sempre exerceram uma atração especial no ser humano que as usou para fins diversos ao longo da história. Entre as características especiais estão as de ocultar a identidade do indivíduo que as usa, ao que se acrescenta uma mudança de atitude para conseguir uma dissimulação total , encobrindo e transformando para algumas vezes, se fazer passar por outra pessoa ou com finalidade ritual, na qual o mascarado tenta adotar a personalidade ou atributos do ser, ou mito representado pela máscara. As máscaras representam tradições culturais que retratam os homens que as fizeram usar.

A história das máscaras está ligada à própria história do homem. Faz parte da história universal, pessoal e mitos. Ela tem sido usada desde a origem da humanidade, com o homem primitivo. Mas isto não é privativo deste homem: faz parte, também, embora de diferentes modos, do homem contemporâneo.

Não existe nenhuma atividade humana onde não esteja implicada uma máscara.

 

 

Música:Bolero de Ravel

Aquecimento específico:

 

Quando vocês pensam na palavra máscara, o que vem primeiro a mente de vocês?

Convidaremos agora o grupo para uma viagem. Coloquem as vendas, por favor. Respirem fundo, relaxem nas cadeiras da forma mais confortável possivel.

Imaginem o escuro total. Só escuridão. Aos poucos você vê surgir uma fogueira, pequena de início, que vai aumentando ... Uma grande fogueira, tendo ao seu redor um grupo de homens primitivos, e você está neste grupo, dançando, pedindo por caça ou chuva ou, celebrando algo. Olhe só: você come o que conseguiu caçar. Era comum nesta época, este homem primitivo se mascarar para poder se aproximar de sua caça ou para poder ganhar poder sobre sua presa. Você usava também, para se aproximar dos deuses e das forças da natureza. Era vital e comunitária.

Esta fogueira vai diminuindo, mas a cor de fogo amarela se transforma em uma máscara de ouro. Você está agora numa outra época, sec XII aC, vc é um egípcio que, com todo o cuidado e atenção, confecciona uma máscara de laminas de ouro. , que servirá para cobrir a face mumificada do faraó. 

Você acreditava que se chegasse do outro lado com máscara seria reconhecido. Você pensa: haverá um momento que eu estarei também com a minha máscara para atravessar para o outro lado. Não era só um faraó que tinha o privilégio das máscaras funerárias. O grupo a que você pertence, e reúne em volta do faraó, e a máscara, como um ritual é colocada em seu rosto.

Pronto: trabalho bem feito: ele chegará bem na sua outra vida. Olhe agora esta cena de longe, de cima, flutue sobre ela...

Você está na Grécia, sec V aC fazendo parte de uma grande festa, reverenciando o Deus Dionísio. Usa uma máscara de folhas de parreira, no ambiente tem muita música e muita bebida, risos, algazarra, afinal Dionísio era o rei do vinho, o desenfreado, o caos criador. Acreditava que usando uma máscara o próprio Dionísio se faria presente em sua festa.

Olhe esta cena, observe esta festa transformar-se num palco, nele atores do teatro grego, usando várias máscaras. Escolha um desses atores É você. Que papel você representa? O teatro é a sua grande paixão: poder representar vários papéis, ora de criança, de mulher, o papel de herói e de bandido, o profano e o sagrado...Uma máscara para cada ocasião: isto é espetacular. Poder viver uma vida diferente. Olhe a platéia estarrecida com o espetáculo. Troque de papel e sente no meio da audiência. sentindo a força que emana do palco. E é da plateia que você se distancia... veja esta cena de cima...

E, de repente este palco está se transformando e se transportando para uma outra época. Veja só: é um baile na Renascença...um salão de baile, e você veste uma fantasia deslumbrante, e uma máscara com muito brilho. Olhe em volta e veja muitas pessoas mascaradas se divertindo. Como é agradável estar nesse baile. Ninguém lhe reconhece...pode ser outra pessoa.. como essa máscara lhe protege...arlequins e colombinas...músicas e máscarass...pode ser quem desejar neste momento...Dance, sorria, olhe nos olhos das máscaras ao seu redor...o baile toma um outro tom, as pessoas dançam e sorriem de uma forma mais rápido, vestidas de uma maneira diferente, reconhece algumas...Não é mais o séc XIV, este baile está acontecendo no sec XXI. Observe, você está sendo convidado para este baile. Alguém cochicha em seu ouvido: “este é o baile da vida”.

Tire a sua venda. Vocês estão indo para o baile da vida, onde as máscaras são as do cotidiano.

Levantem-se passem pela passarela um a um, subam as escadas e entrem nesse baile. Escolham uma máscara, aquela que você deseja, aqui e agora, que possa representar uma máscara cotidiana desse homem do sec XXI, ano 2007, num mundo competitivo e capitalista, que valoriza o ter em detrimento do ser, onde o corpo perfeito ocupa um lugar de destaque. Que homem é esse? Que máscara ele usa? Um homem que também se preocupa com o sustento da prole? Que vive assombrado com questões exixtenciais? O que terá do outro lado ? Como chegarei lá? Um homem que precisa ser várias pessoas, subindo sempre no palco? Que homem é esse? Que deve se mostrar forte, bem sucedido, bonito?

Esta máscara acaba se tornando útil para a sobrevivência, procurando ocultar e proteger.

Agora que vocês escolheram suas máscaras, por favor, observem uns aos outros. Vocês irão se escolher por afininidade, atração, dúvida, curiosidade ou qualquer outra coisa...

Ressonância….