Projeto um Lar para todos

 

Projeto elaborado pela Ong Quintal da Casa de Ana e patrocinado pela Petrobrás que tinha como objetivo realizar o estudo psicossocial de crianças e adolescentes abrigados ou em risco social visando à convivência familiar através da reintegração à família ou à colocação em família substituta (adoção). 

Escola de Famílias

 

A Escola de Famílias é uma das ações do Projeto Um Lar para Todos desenvolvido pela equipe técnica do Quintal da Casa de Ana que visa promover o fortalecimento dos vínculos afetivos nas famílias de crianças e adolescentes que se encontram em risco social.

Tem como público alvo pais ou responsáveis por crianças e adolescentes em situação de risco social ou abrigados que foram encaminhados pelo Conselhos Tutelares, Ministério Público e outros.

Com a metodologia do psicodrama sócio-educacional, este programa é composto de 8 encontros semanais, com 2 horas de duração coordenados por uma psicóloga e uma assistente social.

Temas a serem trabalhados:

 

 

-Desempenhando papéis familiares

-Família e Comunidade: um encontro possível

-Limite e responsabilidade na família e na escola

-Sexualidade: prevenção, DST e planejamento familiar

-Muros da Violência

-Uso abusivo de substâncias

 
 

Projeto Viva Idoso

Grupo Você em Cena

"Jogar com o idoso é acreditar que durante toda a vida o indivíduo pode estar apto a reformulações, ou reabilitar-se para tanto; é crer, como Moreno, que a vida é uma aventura que nunca termina."

         Há cerca de três anos, fui convidada para dirigir um grupo de idosos no Centro de Convivência, projeto criado pela Prefeitura de Niterói, chamado “Viva Idoso”. Meu impulso inicial foi agradecer o convite, pois embora eu não tivesse preconceitos sobre esta fase da vida, acreditava que a rigidez no desempenho de papéis fosse uma dificuldade para a técnica psicodramática.

            Por outro lado, as minhas crenças no otimismo, no aqui-e-agora, no recriar contínuo, e na capacidade de fazer diferente do ser humano, me levaram a dizer sim, vou tentar.

 

        Antes de aceitar o grupo, levei muito em consideração o preconceito que a nossa cultura ocidental tem com relação aos idosos. O abandono, o descaso, a falta de respeito diária que podemos presenciar. Vem-me à mente o Japão, nação conhecida pelo seu cuidado e respeito com os idosos. Faz parte da tradição, da cultura oriental, e isso pode ser comprovado com um fato que aconteceu recentemente. Com a tragédia e a destruição do Tsunami, um grupo de aposentados com mais de 70 anos, se ofereceu para limpar a cidade de Fukushima. A radioatividade que se espalhava pelo local, poderia causar problemas de saúde nos trabalhadores em 20 anos. Os idosos trocaram literalmente de papel, com quem possui mais tempo de vida. Esse é um reconhecimento por uma vida honrada, respeitada e reconhecida. Estamos a léguas disso. Por isso, quis ver de perto, colocar em cena as questões dessa fase da vida.

      Ao pensar como conduziria este trabalho, de imediato pensei nos jogos dramáticos, no lúdico, na brincadeira e descontração, e na possibilidade de conduzir o grupo a vivenciar vários tipos de papéis.

      Pude perceber que os jogos dramáticos, através do lúdico e da alegria, permitiram uma via de acesso ao poder criativo do grupo. Os depoimentos dos participantes demonstram as mudanças obtidas com o enfoque psicodramático: a memória melhorou (perderam a rigidez que os impedia de liberar o pensamento), a autoestima aumentou (passaram a se arrumar com mais cuidado), não sentem tanta vergonha em se expor (sem medo de críticas devido ao preconceito), modificação das atitudes (sendo mais flexíveis e abertos), mais corajosos perante a vida (sem medo do novo).

      Há uma emoção entre o grupo em saber que pode se transformar, que não é tarde, reconhecer a força em viver o aqui e agora. Transcrevo a frase de Gabriela, ex-professora de francês e literatura da UFF, uma senhora da Turma da Alegria: “Ah, Thereza, eu não sabia que eu ainda pudesse mudar, com 90 anos... “

Exemplo de Jogo Dramático:

 

Jogo: Treino da Criatividade e Espontaneidade

 

Aquecimento- andar pela sala, relaxando músculos, braços, pernas...

10 minutos -Sair da sala e criar um personagem que tenha uma vida completamente diferente da sua. Imagine a idade, sexo, estado civil, emprego, filhos ou não, sentimentos, estado de humor, hobby, o que gosta de fazer, etc.

Entrar na sala no papel escolhido.

A sala se transforma:

- num lobby de hotel, onde todos ficam presos, pois houve um grande assalto e a polícia precisa informações sobre os hóspedes.

-num navio a deriva, que espera resgate pois teve problemas com o motor, todos tentam se conhecer.

-numa empresa que está contratando trabalho por temporada, que paga muito bem, as pessoas estão na fila.

Relatarei abaixo as etapas do processo, e algumas observações com relação a nossa “Roda de Prosa” no Projeto VivA Idoso.

 

 

Na etapa do Acolhimento, o objetivo é ambientar os participantes, dar as boas vidas e celebrar a vida. O co-terapeuta apresenta uma síntese do que é a Terapia Comunitária e explica as regras de funcionamento: fazer silêncio, falar sempre na primeira pessoa, não dar conselho ou fazer sermões. Durante as falas, podem sugerir músicas ou piadas, pertinentes ao tema abordado na roda de TC. Nessa etapa, o nosso grupo da terceira idade, foi muito dinâmico, aprendeu a música “seja bem vindo orê-rê, seja bem vindo ora-ra, paz e bem pra você, que veio participar”, e cantou para cada um que ali chegava. Com relação às regras, foram bem compreendidas e assimiladas, e a celebração como um momento especial. 

Na escolha do Tema, os participantes são convidados a falar, de forma sucinta, qual é a inquietação , o problema que esta gerando preocupação. Após a exposição, o grupo elege aquele que está escolhido para ser aprofundado no encontro do dia. Os temas que emergiram foram: Angústia com a força de vontade do filho (tema escolhido por voto), ansiedade com a dificuldade em família, preocupação com o futuro, preocupação em dar trabalho para a filha, medo de não poder trabalhar devido a problemas de saúde.

Na etapa da Contextualização a pessoa que teve o tema escolhido apresenta mais detalhes sobre a situação e os participantes podem fazer perguntas para melhor compreensão do tema apresentado. Esse momento é importante para que todos possam refletir e reorientar o pensamento. Durante essa fase, o terapeuta fica atento para as palavras-chaves que surgem nas falas, pois elas serão importantes na construção do Mote. O Mote é uma pergunta feita pelo Terapeuta Comunitário que vai permitir a reflexão do grupo durante a Terapia, momento que se passa da dimensão individual para a dimensão coletiva. Nessa roda o mote utilizado  foi “Quem alguma vez já se sentiu impotente na vida e o que fez para superar”?. Houve partilha das experiências de vida neste momento, escuta das diferentes possibilidades de enfrentar uma mesma situação, conforme o que cada participante foi relatando.

 

A Terapia Comunitária encerra num clima afetivo, com uma grande roda, com as pessoas se apoiando. Pode-se cantar uma musica, falar uma poesia. O Terapeuta Comunitário procura fazer conotações positivas acerca do que foi falado durante a roda e pede para que cada um fale o que aprendeu com as experiências que ouviu.

Para nós, a experiência da Terapia Comunitária recobra-nos a identidade, o diálogo, a cidadania, a partilha, a importância do escutar nas relações e aponta caminhos sem interferir em nossa história pessoal, de forma sábia. Ao escutar a saída que um companheiro ou companheira encontrou para uma dificuldade sua, nós entendemos que podemos também encontrar a nossa. Assim, vamos aprendendo, sorrindo e chorando, entendendo cada vez mais os mistérios da existência, dos quais fazem parte as perdas, que nos ensinam e edificam.

 

Vale lembrar a importância para os idosos da formação de grupos de apoio em busca do fortalecimento da resiliência e resgate da autonomia; da contribuição que os profissionais podem dar, para reduzir o estigma social, com a adoção da TC como ferramenta para o apoio e descoberta de problemas relevantes que os afetam.

 

A velhice é para ser vivida com qualidade, rodeada de respeito e segurança, incluída num contato social saudável  que contribuirá significativamente para a melhoria da saúde mental e diminuição do sofrimento emocional do idoso.

Projeto Resgatando Vidas

 


 

Centro de Recuperação Resgatando Vidas

 

 


 

Centro de Tratamento para a Dependência Química

 

 "Eu comecei a encantar-me cada vez mais e a perguntar-me se além da responsabilidade por mim mesmo e os cuidados comigo próprio, a responsabilidade para com todas as pessoas mais próximas, meu pai e a minha mãe, minha irmã e meu irmão, meus amigos, as pessoas da minha cidade e de outros lugares...". ( Jacob L. Moreno. Palavras do Pai)

É a responsabilidade do Psicodrama dentro das Comunidades e Instituições, na Clínica Social sendo na maioria das vezes  psicodramatistas voluntários. O nosso ser em relação com um outro que necessita, e que se beneficia com a metodologia psicodramática.

Nesse trabalho , o  psicodrama foi um espaço para a expressão das dores, para uma compreensão das situações de conflito interno ou entre o grupo.

 

Ações na Instituição durante os anos de 2008 até 2013:

 

-Escola de Famílias

-Teatro Espontâneo

-Jogos Dramáticos

-Dinâmica da “Argila: espelho da auto-expressão”.

-Terapia Comunitária

Projeto Antioquia em Movimento

 

 

 

Terapia Comunitária

 

Partindo da frase do DR Adalberto Barreto, psiquiatra criador da Terapia Comunitária,  quando fala sobre a importância do falar , do compartilhar.

A intenção das rodas deTerapia Comunitária  é criar esse espaço para reunir pessoas que seja de apoio e acolhida. Partilhar emoções. Nessa Instituição o grupo é na maioria formada de mulheres que precisam e se beneficiam com essa troca. Trocar experiências, trazendo para a roda um tema que deseja trabalhar , algo que esteja incomodando na sua vida. O reflexo que isso faz na família, nos seus pares é visível. O resultado terapêutico é atingido de forma individual, mesmo diante de histórias e narrativas compartilhadas, pois todo participante sente e percebe de acordo com suas vivências pessoais.

Muito significativo na Terapia Comunitária, que fundamenta toda a atividade proposta é que, por ser baseada nas competências, e não nas carências, o olhar não é no negativo, e sim no que funciona. Verifico que há no grupo uma melhora na autoestima, um pensamento de – ¨eu valho a pena!¨

No trabalho dentro das comunidades devemos sair do discurso do que está errado, do que está doente... O que essa roda tem como recurso?

" O ser humano é falho; 

Hoje mesmo eu falhei;

Ninguém nasce sabendo;

Então me deixe tentar..."

Fenase

 

Argila: Espelho da auto expressão

 

Trabalho realizado com a equipe de funcionários da Instituição que realiza o Projeto Viver:

Como articular o trabalho da Argila: espelho da auto expressão com o psicodrama sócio-educacional:

Divisão em quatro subgrupos e distribuição dos temas:

 

Instrução:

 

1ª parte- Fazer a escultura com um dos  temas sorteados:

1-abandono e rejeição

2- impotência: sinto que não dou conta 

3- relações em conflito

4- violência: questão que me atinge

2ª parte- Na fase da pintura refletir: Qual o recurso que possuo? Para cada tema, um recurso.

 1- Minha presença no aqui e agora

 2- Estímulo que me impele a agir

 3- Eu e os outros – como participo positivamente

 4- A paz que trago dentro de mim

 

3ª parte – compartilhar

 

Para cada grupo:

Como vejo e sinto dentro do ambiente de trabalho... (encaixar cada tema)

Recorrendo à minha história de vida, como vivi... (encaixar cada tema)

História em Movimento

Encontro realizado com Conselheiros Tutelares, técnicos, funcionários e dirigentes da Instituição. 

História contada e transformada várias vezes, obteve reflexão e questionamentos a cerca do abandono, exclusão, recursos, impotência perante as injustiças sociais...

História em Movimento contada: “Uma história nem tão inventada assim...”.